quarta-feira, 22 de abril de 2009

Dia de comemorar!!

Dia 23 é o Dia do Livro e dos Direitos do Autor

Parabéns!! Amanhã é dia de chutar mais paradigmas estabelecidos pra escanteio, pois no dia 23 de abril comemora-se o dia Mundial do Livro e...dos Direitos do “autor”. Agora me digam, quantos escritores você conhece que vivem dos livros vendidos? Tirando Paulo Coelho que, inclusive, não tem o menor problema com a perspectiva Copyleft (ele próprio disponibiliza seus livros na internet), a lógica que permeia a venda de livros, sobretudo no Brasil, é a de que as editoras (o Brasil possui um dos mercados editoriais mais caros do mundo – isso num país com milhões de analfabetos funcionais!!) ficam com tudo e os autores e os proponentes pobres a leitores com nada.

Instituições como a CBL (Câmara Brasileira do Lucro...ops...Livro), ABDR (Associação Brasileira de Direitos Reprográficos) entre outras porcarias emitem máximas dignas de nota: “O respeito ao direito autoral é fundamental para ampliar a cultura, a educação e a circulação do conhecimento de um país.” – queria entender esse raciocínio, mas minha capacidade intelectual é reduzida demais pra isso. Já a CBL insiste em dizer que consiste em “...uma entidade independente, sem fins lucrativos, com a missão de estimular a leitura no País, promover a indústria e o comércio do livro e defender os interesses de seus associados.”.

Mas por baixo dos blá, blá, blás midiáticos e jurídicos, aferram-se cada vez mais em defesa dos direitos de lucrar em cima do trabalho dos verdadeiros autores e do não acesso de grande parte da população à leitura. Quer provas? Veja aqui o combate contra as cópias xerográficas apertando o cerco, e aqui o esforço pelo fim do download de obras na net. E tudo em nome da Democracia hein!!

Aqui há uma interessante matéria sobre a questão, realizada pela Revista Carta Capital em janeiro de 2005, onde fica mais uma vez bem clara que a postura da CBL é a mesma das grandes da indústria fonográfica: coibir a “pirataria”...apesar de eu preferir chamar isso, dentro das minhas reduzidas capacidades mentais, de democratização. Resultado? Estão tomando uma verdadeira surra, é impressionante o volume de material, livros, periódicos, jornais, revistas e o escambal disponibilizados na rede todos os dias. Definitivamente, tal como as gravadoras, as editoras não têm mais razão de existência, agora autores e usuários podem fazer todo o trabalho de forma autônoma via net. Além disso vê-se, também, o surgimento de cooperativas como a Faísca, que editam e vendem livros a preços decentes e sob outras prerrogativas ideológicas e práticas, digamos, mais humanas.

A crise pela qual passa o jornalismo tradicional/impresso hoje, crise de legitimidade, de sustentabilidade financeira etc., está, também, muito ligada a essa questão que aqui discuto e pretendo abordar mais detidamente em outra ocasião. Por enquanto, fique com essa ótima discussão do site do Pedro Doria.

Por fim, aí vão alguns poucos links, dos centenas de locais na web, pra você baixar livros e comemorar, de verdade, o Dia do Livro e dos Direitos do Autor!! Dentro deles você pode fazer contato com o pessoal e encontrar mais links pra outros sítios – as possibilidades são infinitas!! É o caos do mundo virtual, na sua íntima relação com o mundo real, que me deixa feliz!!

Destruindo Construiremos!! Viva a Pirataria!!

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6 comentários:

  1. Como disse no comentário ao post anterior, o grande impedimento para a proliferação de livros de forma democrática esbarra menos na lei e mais na ausência de uma tecnologia adequada, barata e acessível...

    A lei de direitos autorais nunca foi impediemento para ninguém, até mesmo porque a maioria da população não a reconhece como legítima.

    A postura de orgãos como a CBL, a ABDR e a UNESCO, que foi quem proclamou tal dia, mostra-se reacionária na medida em que atenta contra a democratização da leitura. E o pior é que as editoras se escondem atrás dos autores, como se esses fossem atingidos pela livre circulação dos textos... como o artigo destaca, eles recebem parcelas ínfimas dos livros vendidos e dificilmente sobrevivem disso...
    e, muito provavelmente, os que sobrevivem conseguiriam se manter de outras formas, haja vista serem figurões bastante requisitados do mundo editorial...

    Com certeza, colocando tudo na balança, o custo social dos direitos autorais é be maior que o decorrente de sua definitiva extinção.

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  2. Ontem vi na TV que 79% (!!) de toda música ouvida no país é originária de práticas de pirataria via net. Lembro que há pouco mais de 2 ou 3 anos esse mesmo indice estava em torno dos 50%...ou seja..."é nóis"!!!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Quem se interessou pelo tema vale a pena dar uma olhada nessa postagem de hoje do blog do Pedro Doria: Hoje é o Dia Internacional do LivroUm bom questionamento sobre os direitos de autor ou copyright

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  5. Salve a todos os integrantes desse blog! Parabenizo a todos pela iniciativa de utilizar-se de um espaço considerado democrático para a abordagem de assuntos de extrema relevância.
    Bom, sobre o texto ora publicado, concordo sobre a argumentação estabelecida pelo autor, sim, devemos quebrar com esse paradigma falido e, mais que isso: devemos pensar e colocar em prática novos meios e formas de disseminar informação e conhecimento a todos! Digo isso, pois atuo na área de bibliotecas e instituições informacionais e ainda vejo, por parte de alguns profissionais uma certa resistência com relação a essa discussão, mas, felizmente, existem boas iniciativas na área e pessoas que atuam nesse âmbito e espero que elas venham à tona! E acredito que isso possa ser construído através do diálogo!
    Valeu a todos!

    Patrícia Silva

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