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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

SOPA Faz Mal!!

Apesar de o Congresso Americano parecer ter dado os primeiros recuos, temos que empurrar o capeta até o fundo do buraco e fechar a porta. A maior tentativa já levada a cabo para criminalizar a livre circulação na internet, o SOPA (Stop Online Piracy Act), pretende retroagir em séculos o poder de comunicação da sociedade, bem como destruir qualquer proposta mais democrática de acesso a informação e de organização e produção do conhecimento. 
É mais da mesma lenga-lenga, que visa reafirmar os princípios mais velhos e carcomidos de propriedade intelectual – deixando de lado outras iniciativas que redefinem a forma como nos comunicamos hoje. Sendo o SOPA aprovado, a censura estará imposta, sem contar o mais bizarro de tudo, que é fato de que o governo americano teria o poder de derrubar sites em TODO O MUNDO caso julgasse que o mesmo infringisse as leis de direitos autorais de empresas americanas. E mais, não apenas os que disponibilizam links e armazenam informações seriam perseguidos, mas também sites de procura e referência poderiam ser derrubados caso o governo americano julgue que eles estejam “localizando” os contraventores. Por exemplo, se você está a procura de um cd qualquer para baixar no Google, e em sua pesquisa aparece um link para um torrent no resultado, eles poderiam derrubar o Google. É medieval! É como matar um passarinho com uma bazuca e acertar tudo o que está em volta. Sites como Google, Facebook, Twitter, Wikipedia e Youtube – entre outros de menor repercussão – estão planejando um apagão geral como forma de se manifestar contra a proposta. Uma série de sites nacionais também está planejando aderir ao apagão. Informe-se!

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Amplitude do Anarquismo: Patch Adams



A metáfora dos fios d’água penetrando no solo poroso, comumente usada pra caracterizar a filosofia, ideologia, doutrina, metodologia, ou seja lá como quiser chamar, anarquista, me agrada bastante. Me remete a uma idéia cara ao chamado anarquismo social (que pra mim é a mesma coisa que o dito ‘anarquismo sem adjetivos’), do qual, também, declaro-me simpático, que busca a valorização das mais variadas idéias, posturas e ações que têm por base a preocupação com o respeito, liberdade, autonomia e dignidades humanas. Alguns costumam opor o anarquismo social ao anarquismo individualista e, sinceramente, não consigo enxergar de que forma essas duas correntes são excludentes. Penso exatamente o contrário: o anarquismo social comporta os individualistas, afinal de contas é mais uma percepção libertária da sociedade – de modo que não há um porquê da não convivência dos dois...aliás, creio não ser possível vislumbrar um sem o outro.

Nesse sentido, creio que toda e qualquer idéia libertária (e aqui excluo as que instrumentalizam a violência contra serem humanos como método de ação, bem como as vertentes de caráter essencialmente classistas do anarquismo), é válida – inclusive aquelas que, numa primeira vista, não possuem algum engajamento explícito, ou atuam em esferas aparentemente, mas só aparentemente, que detém importância de segunda ordem, me vindo em mente, agora, o exemplo das técnicas de massoterapia, muitas vezes vistas com escárnio nos meios libertários, apesar d’eu ver com ótimos olhos uma iniciativa que procura re-significar o corpo e os movimento num contexto em que esses estão particularmente escravizados pelo trabalho, pela estética e pelo consumo. Me interessa também as vertentes que visualizam filosofias como o cristianismo, o budismo e sei-lá o que mais numa nova perspectiva.
Bom, na verdade fiz esse rodeio todo apenas para justificar o tema desse post, pois se vocês leitores vierem com comentários do tipo: “Ele não é anarquista!”, ou “Esse cara só faz caridade”, e ainda “Ele não possui uma crítica firme contra o estado”, já deixo aqui a minha réplica: Vão à merda!!No último dia 5 de maio, esteve no Brasil o médico americano Hunter “Patch” Adams. Isso mesmo! Aquele cara daquele filme ‘bonitinho’ de Hollywood: “Patch Adams: O Amor é Contagioso”(1998), com direção de Tom Shadyac. Filme que fez um baita sucesso por conta da visão que o tal médico tem a respeito da comunidade do qual faz parte (numa palavra: revolucionária) e, também, pela concepção humanista que propõe a respeito de conceitos como ‘cura’, ‘doença’, ‘saúde’, ‘amor’, ‘amizade’, ‘relação médico X paciente’, ‘hospital’, ‘remédio’ etc.
Não tenho como saber se Patch teve contato ou se aprecia a filosofia anarquista, mas creio que ele está pouco se fudendo pra isso. Aliás, é quase certo que conheça sim, pois ele é um tipo de intelectual raro hoje em dia...daqueles generalistas que lêem e citam de tudo, mesmo tendo uma formação específica. Vemos isso na, simplesmente espetacular e devastadora, entrevista que deu em 2007 para o programa Roda Viva da Tv Cultura (assistam, pelo amor de Deus), onde mostra influências das mais variadas áreas: pedagogia, literatura, teatro, história, filosofia, arquitetura e o caralho. Pra quem assistiu ao filme, não julgue-no por aí, pois o próprio Patch o detona em vários aspectos na entrevista (e também na palestra que tive a oportunidade de participar), apesar de ser tributário do mesmo em função do fato de ter incentivado a formação de uma gama de movimentos por todo o planeta fundamentados na sua filosofia. Projetos como o Doutores da Alegria, para citar apenas o mais conhecido dentre vários outros só no Brasil, adotam as posturas propostas por Patch.
É difícil falar dele e de suas idéias. Não foi à toa que comecei esse post falando da amplitude que a filosofia / metodologia anarquista pode atingir. E é assim que vejo Patch Adams, o humanismo anárquico em pessoa. Daí a dificuldade. Não vou gastar espaço aqui falando detalhes de sua biografia e de suas práticas, para tal, dêem uma olhada nesse ótimo artigo no Wikipedia.
Ele é como um trator que luta 24h/dia contra os poderes e autoridades instituídos – e me refiro, principalmente, aqueles poderes do dia-a-dia: o médico arrogante, o político presunçoso, o policial babaca, o capitalista cínico, o chefe de seção autoritário...ou seja, aquela micro-rede de poder, onipresente e difusa, de que trata Foucault. Ao mesmo tempo, é uma pessoa linda, doce, extremamente humana, cordial, engajada e consciente o que, pra mim, faz dele um grande revolucionário real, palpável, para além de ‘ismos’ e coisas do gênero.
Como um intelectual, as preocupações e atuações de Patch Adams vão muito além da questão da saúde, que nós entendemos simplificadamente como ‘ausência de enfermidade’, estrapolando a questão pra outras discussões. Então, ele começa falando de qualidade de vida, amizade e bem estar, amor e, dali a pouco, já conecta essas noções com debates mais amplos como justiça social, desigualdade, os problemas do capitalismo tardio, globalização, multinacionais, indústria farmacêutica, saúde pública, consumismo, mídia, feminismo etc... Em suma, é a amplitude do alcance de suas práticas e idéias que impressiona e me leva a senti-lo como um tsunâmi libertário, incansável, diga-se de passagem.
A idéia desse post não é instituir um herói – nada seria mais antipático à filosofia anarquista e ao próprio Patch Adams do que isso. Minha intenção é a de mostrá-lo como inspiração, esperança e crença no fato de que outra humanidade é possível, a começar pela relação com o seu vizinho. Por fim, pensando em Patch Adams, uma onda de realismo me invade: por que complicamos tanto as coisas? Por que essa obsessão encarniçada com poder e dinheiro? Por que, simplesmente, não procuramos ser simples e amar? Como ele bem coloca num trecho da entrevista dada ao Roda Viva, “...estamos todos numa cesta de mentiras!...e nem paramos pra pensar nisso”. É como se agíssemos por instinto, mas essa não é a natureza humana no seu todo, mas apenas parte dela. Devemos apenas descobrir como valorizar mais o outro lado...pois aquele que odeia também ama, aquele que é egoísta também sabe ser solidário.
A questão que quis abordar aqui é muito ampla...e só usei o Patch de pretexto (um ótimo pretexto,não?!). Na verdade estou questionado a natureza humana...tentando estabelecer uma conexão com as filosofias anarquista e humanista. Tema que incomodou, recentemente, meu grande amigo Hilário. O que quis aqui foi jogar uma importante questão para debate.
Há uma outra entrevista concedida por Patch à Revista Veja que, até hoje, não entendo o porquê de tê-la cedido. Afinal de contas, quando da sua vinda aqui em 2007 e agora em 2009, ele recusou vários convites da grande mídia. Bom, o resultado,como não poderia deixar de ser, foi essa entrevista horrível, totalmente editada, cortada e esvaziada. O que vocês queriam também? Estamos falando da revista de pior qualidade e mais reacionária do país.

*-*-*

Nesse post dei pitaco em várias questões que não domino: cinema, Foucault, medicina / enfermagem. Portanto, meus amigos que sacam disso de verdade, metam a colher na discussão aí! (Viram? Davidson, Imara e Aline!!)
Copatch: Grupo que organiza as visitas de Patch Adams ao Brasil.

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domingo, 26 de abril de 2009

Ainda sobre antropocentrismo ou especismo...


Não há vivissecção justificável.

É interessante perceber alguns mecanismos de construção de discurso que estão por trás da justificativa de práticas absurdas.

Uma técnica muito comum se baseia na associação entre algo amplamente aceito socialmente com uma prática eticamente condenável.

É mais ou menos assim que o absurdo passa despercebido.

Vemos isso, por exemplo, quando a UNESCO cria o Dia do Livro e do Direito do Autor (o Copyright). Poxa, quem não aplaudiria a iniciativa da criação do Dia do Livro? Algo louvável... mas, daí a fazer com tenhamos que engolir goela abaixo do Direito do Autor... já é outra coisa. É mais ou menos como se a UNESCO afirmasse que o livro só é possível com copyright... que sem isso eles não seriam escritos.

Ou seja, junta-se algo indiscutível, o valor do livro para a sociedade, com algo altamente questionável, o direito do autor (e das editoras, o que fica subentendido), o que representa um dos principais obstáculos à democratização da leitura e do conhecimento.

O mesmo se vê no caso da Lei do Senador Eduardo Azeredo, que na onda de alguns abusos de usuários de internet, principalmente pedófilos e ladrões virtuais, tenta fazer passar uma série de medidas restritivas da liberdade a título de garantia de segurança na rede mundial de computadores.

Com relação ao discurso sobre a vivissecção se dá o mesmo. Sob o pressuposto de que ela é fundamental para a descoberta de curas de doenças e de novos medicamentos, um uso indiscriminado das vidas animais é justificado.

Esse discurso aparentemente óbvio é permeado de inúmeros absurdos.


Primeiramente, o uso das vidas animais é completamente desregulado. Incontáveis cobaias são utilizadas para os motivos mais banais possíveis. Seu uso nas universidades é indiscriminado e vem gerando reação dos alunos, que inclusive se recusam a participar das vivissecções. Para isso já existe até mesmo um modelo de carta de objeção de consciência disponível no site do InterNICHE Brasil.

Além disso, quando falamos de indústria farmacêutica temos que ter em conta que boa parte do que se produz com a utilização de cobaias animais tem função social – levando-se em conta os altos custos representados pelo uso de incontáveis vidas – altamente questionável.

Quantos animais são utilizados para que se produzam cosméticos ou medicamentos que já possuem similar no mercado?

Quem analisa a atuação da indústria farmacêutica percebe que a preocupação social, com a produção de medicamentos a baixos custos, destinados a cura de doenças que atingem as populações mais pobres do globo não é sua prioridade.

Ou seja, quando se fala em vivissecção social e moralmente justificável, essa discussão é cabível em apenas uma minoria absoluta de casos. Ainda assim, penso que outras alternativas devem ser buscadas.

O que se vê da parte da comunidade científica é uma grande inércia nesse sentido. Sempre se utilizando da justificativa de que a ciência é neutra e sempre busca o bem da humanidade, inúmeros pesquisadores se eximem de responsabilidade quando se fala do uso das vidas animais.

É hora de a comunidade científica pular o muro – pois essa nunca estive em cima do muro e a maioria já escolheu o seu lado há muito tempo – e passar a buscar alternativas para o uso das vidas animais que se torna cada vez menos justificável.

Para saber mais sobre os direitos animais acesse: Gato Negro

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